DUBITO ERGO SUM

 Teoria da Literatura

OFICIAL X MARGINAL:
Memória, tradição e poder em O nome do Bispo

Antonia Cristina de Alencar Pires

 

Tanto quanto João Ubaldo Ribeiro, Zulmira Ribeiro Tavares preocupa-se em problematizar em seus textos o papel das tradições na cultura de uma sociedade. Do mesmo modo que o escritor de Viva o povo brasileiro, a escritora indaga, com humor e ironia, sobre as tradições familiares, sua construção e seu peso na sustentação da estrutura da Nação.

Em Jóias de Família (1990), a escritora toma como metáfora da construção da tradição familiar a história arquitetada por um juiz em torno de um anel de rubi dado de presente de noivado à sua futura esposa. O referido anel passa a emblematizar o futuro núcleo familiar que ora começa a se formar. A família Munhoz passa a se identificar na jóia e a ser identificada socialmente por ela. Portanto, as tradições (principalmente as tradições familiares) são construções que garantem a continuidade do grupo. Continuidade essa possibilitada pela memória e seus objetos. No caso do romance mencionado esses objetos são corporificados, essencialmente, no rubi e em um cisne de Murano, ostentados pela família desde seu princípio. Em suma: as tradições são como as jóias de família, que passam de geração a geração, cercadas de histórias.

Entretanto, como a própria Zulmira Ribeiro Tavares mostra, outros elementos são vitais para a tradição familiar. Como por exemplo, o nome da família. É em torno desse fator que se desenrola o enredo de O nome do Bispo (1985). Neste texto, de maneira mais contundente, a autora aponta uma questão delicada: a intervenção do espaço privado – o micro-território familiar – no espaço público (o espaço social e, em última análise, o espaço da Nação).

Para que os grupos familiares baseados em tradições possam projetar-se e intervir no espaço público, é necessário que dentro de seu micro-território prevaleça a crença de que os elos da cadeia da tradição são incontestáveis e irreversíveis. A disseminação de tal idéia forja a interface entre as identidades individuais e a identidade do grupo como um todo.

A invenção de uma tradição se dá em função de uma necessidade, sentida pelo grupo em relação à sua própria sobrevivência. Em face disso, a Tradição inventada oscila entre o falso e o legítimo, não se podendo definir em absoluto qual seja sua essência mesma. Observando tal situação, Eric Hobsbawm considera que a necessidade sentida pelo grupo é o fator legitimante da tradição inventada, enquanto a intensidade de manipulação da mesma responde por seu menor ou maior falseamento. Para serem preservadas, “as tradições inventadas” (HOBSBAWM, 1984) – sobremodo, as tradições familiares – necessitam das máscaras sociais. E estas, para funcionar adequadamente, recorrem à mentira como peça essencial de seu mecanismo. Obviamente, a mentira, nesse caso, passa a ser algo cuja tessitura é bastante complexa, dada à sua intrincada urdidura. Nos textos de Zulmira R. Tavares, o recurso à mentira, ao fingimento, ao engano praticados em larga escala pelas personagens vão ao encontro das considerações feitas por Hobsbawm em seu estudo sobre as tradições. Pela utilização desses recursos, as tradições inventadas caminham muito próximas da ficção.

As constatações que ora acabo de inferir sublinham a narrativa ficcional como um espaço de questionamento bastante peculiar, uma vez que ela própria é capaz de romper com seus próprios limites e produzir (às vezes, antes de outras formas de conhecimento) uma ampla interface com a realidade.

Em relação à observação teórica do conceito de tradição, convém ainda lembrar que a mesma tem como lugar de origem o passado, que opera sobre as escolhas do presente com vistas a controlar o futuro. Em poucas palavras: a tradição é uma forma de controle do tempo e das ações dos grupos em seus micro-territórios e no espaço da Nação. Enquanto importante pilar do edifício da Nação, a tradição ajuda a consolidar a noção de eternidade da mesma. Não é sem razão que, associada ao nacional, à nacionalidade, freqüentemente aparece a menção ao futuro. Assim, as nações representadas por Estados-nações deslizam de um passado imemorial para um futuro ilimitado, conforme discute Benedict Anderson em Nação e consciência nacional (1989)

Como se disse anteriormente, a mentira, o fingimento e o engano são alguns dos fios com os quais se urdem certas tradições. Entretanto, outras instâncias são convocadas a atuar na produção de imagens que sustentam as tradições. Um desses mecanismos é a memória. É este elemento que modela, que confere-lhe poder de ação e que faz permanecer viva uma tradição, seja ela tradição nacional ou tradição familiar. Convém ressaltar que, do mesmo modo que oscila entre o falso e o legítimo, a tradição transita no espaço da memória entre seus dois pólos: a lembrança e o esquecimento. Aliás, em grande medida, é o esquecimento o pólo de maior peso no engendramento da manutenção de uma tradição, conforme observa Homi Bhabha ao discutir o que ele denomina “um menos na origem : a subtração de certos eventos e impossibilidade de comprovar outros” (BHABHA, 1998). E é nesta ordem de idéias que lembro ainda que o esquecimento reforça algumas referências e joga nas sombras outras.

Homi Bhabha (e outros teóricos, como Michael Pollack e Ricardo Piglia) observam em relação à construção da narrativa da Nação, a existência de uma “memória oficial” (colocada sob suspeita pelo pensamento contemporâneo) e uma “memória à margem da Nação”, alimentada exatamente pelos eventos subtraídos, pelos eventos indesejáveis à Nação. O mesmo ocorre em relação à memória dos grupos familiares que dão suporte às tradições desses grupos. Tradições que, como se disse de início, ultrapassam os limites privados e acabam por se espalhar pelo espaço público, confundindo-se com a Nação.

O nome do Bispo ilustra com maestria essas especulações. Heládio, o protagonista do romance, trava um embate com a memória oficial da família Marcondes Pompeu (emblematizada na solene figura de seu tio-avô, o Bispo Dom Heládio) e a memória marginal (onde está abrigado o que foi “esquecido” pelo grupo, o que não se pode lembrar – o verbo poder lido aqui em seus dois sentidos: o de não ser possível e o de não ser permitido).

Dom Heládio é o elo primordial da tradição eclesiástica da família, cuja continuidade deve ser mantida por seu sobrinho, a quem, inclusive, ortogou o próprio nome. A memória obliterada pelos Marcondes Pompeu, quando escavada por Heládio passa a ser um elemento de constante ameaça à integridade do grupo, visto que funciona como instrumento de ruptura das referências familiares. Em outras palavras: todo o sistema de identificações coletivas ameaça ruir quando é colocada em xeque a memória oficial em conseqüência das emergências de lembranças banidas. Estas, representadas por Tio Oscar, uma presença dissonante na tradição familiar por ser considerado perdulário e extravagante. Delitos imperdoáveis para uma família que cultiva a austeridade e a frugalidade como marcas.

Dom Heládio encarna a retidão, a virtude e a santidade, ao passo que Tio Oscar representa a sinuosidade, a lascívia, o pecado. Um claro contraponto entre a medida e a ausência dela, o qual é observado pelo jovem Heládio, compelido à salvaguarda dos valores familiares.

Há que se acrescentar, com relação à memória oficial, que sua integridade  depende não apenas do esquecimento. Sua manutenção requer também a disseminação de equívocos e meias-verdades. Isto fica evidente em O nome do Bispo quando Heládio descobre velhas anotações feitas pelo próprio Tio Oscar e descobre que a anã branca era, de fato, “uma estrela que o velho observava através de uma luneta francesa”. (TAVARES, 1985, p. 136).

Por muito tempo, foi reforçada pela família a história de que no final da vida, Oscar tornara-se um bizarro voyeur, observando uma anã de peitos enormes, gorducha, sempre vestida de branco. Essa história surgiu com o objetivo de ressaltar a dignidade de Dom Heládio e o caráter libidinoso de Oscar. Os registros feitos pelo mágico amador surgem como possibilidade de questionamento das verdades cultivadas pela família. Ao serem resgatados por Heládio, eles passam a representar também uma outra identidade possível. Isto porque o rapaz percebe, através dos escritos, qualidades do tio que foram obliteradas pela tradição.

Como se pode notar, a existência de uma memória oficial e de uma memória marginal, de uma tradição do Mesmo (representada pelo bispo e reiterada na repetição dos nomes) e uma tradição possível ou alternativa (representada na alteridade de Tio Oscar), pressupõem, obviamente, a existência de fronteiras, de limites entre as instâncias opostas. Desse modo, a delimitação cria espaços de privatização que o modelo familiar corrobora por ser um modelo fechado.

Assim, quanto mais um grupo é arraigado às suas tradições, mais intransponíveis torna-se seu território. Afastando a insuportável presença do Outro, o grupo cria a idéia de coesão e homogeneidade tão necessárias à sua permanência e estabilidade. Ou como salienta a própria Zulmira R. Tavares, em sua narrativa ficcional:”

Uma família mantém sempre estável o seu universo homogêneo deixando simplesmente que pereça à míngua, por falta de oxigenação, um possível universo paralelo, invertido, conflitante.” (TAVARES, 1985, p. 140).

Para demarcar as fronteiras, símbolos e imagens são utilizados. Especialmente aqueles que se materializam sob a forma de objetos da memória coletiva. Os retratos, os álbuns de fotografia, os jazigos são alguns desses objetos que funcionam como instrumentos necessários ao sistema de identificações coletivas. Neles o grupo se reconhece e determina seu lugar, excluindo a diferença e sublinhando a semelhança.

Com relação ao álbum de fotografias, deve-se lembrar, junto com Jacques Le Goff, que eles “evocam e transmitem a recordação dos acontecimentos que merecem ser conservados” (LE GOFF, 1992, p. 466 – grifos meus). Não é sem razão que tal objeto é constante na ficção tavaresiana e em O nome do Bispo ele aparece em íntima correlação com o próprio espaço da casa dos Marcondes Pompeu.

Tanto quanto o álbum de fotografias – que, com suas imagens silenciosas, paradoxalmente fazem reverberar a concepção do “estar entre nós mesmos” – o espaço domiciliar é, por excelência, o território da família. No caso dos grupos muito tradicionais (como o grupo focalizado no texto em questão), esse micro-território (embora bastante fechado) confunde-se com a cidade e, em escala maior, com o próprio país. Note-se, portanto, que esse movimento extensivo constitui uma continuidade. Assim, a tradição da família de Heládio funde-se às tradições e à memória nacionais.

Cabe esclarecer, nesse ponto, que tal fusão se dá também no âmbito da tradição e da memória oficiais da Nação. O espaço da casa e o espaço da cidade interligam-se pelo nome da família. O próprio Heládio, questionador da tradição familiar, deixa-se envolver por ela, quando ao observar papéis e cartões com o timbre da família, toma o espaço branco dos mesmos pelo espaço de São Paulo. Nesta relação, ao mesmo tempo metafórica e metonímica, expressa-se a importância e o peso dos Marcondes Pompeu no contexto paulistano.[i]

Como se há de perceber, todos os artifícios que envolvem a tradição – e ela própria – são artifícios de controle. São parte de um intrincado jogo de poder. Não apenas no âmbito restrito do grupo, mas sobretudo quando a tradição familiar estende-se e se mescla à Nação, como venho discutindo até aqui. É amplamente sabido o destaque e a importância das famílias tradicionais nas muitas esferas da Nação. O que se apresenta como uma preocupação constante na ficção de Zulmira R. Tavares (e de João Ubaldo Ribeiro), qual seja: a de mostrar o poder familiar e sua capacidade de estender-se ao território nacional, intervindo na cultura e na História de um país, é objeto de investigação de teóricos como Benedict Anderson e Hannah Arendt.

Para Anderson, a possibilidade de certos grupos familiares virem a se tornar paradigmáticos, fazendo de sua tradição parte das tradições nacionais, reside da relação analógica entre o modelo familiar strito sensu e a concepção mesma de Nação. A noção de vínculos “naturais”, de origem étnica “comum” e de “compartilhamento” do mesmo espaço estariam, portanto, na base de ambos os conceitos. Segundo o referido cientista político, somente a partir do final da década de 60, a teoria passou a admitir a família como “estrutura de poder articulada”, desvinculando-a da conceituação disseminada pelo senso comum de que na família predominam tão-somente o “amor e a solidariedade desinteressadas” (ANDERSON, 1989, p. 156-7).

Cabe-me aqui lembrar que, de longa data, a ficção buscou representar e discutir a família como estrutura de poder. São diversos os exemplos de textos em que se tematiza esse aspecto. Neste momento, refiro-me às narrativas de escritores como Lima Barreto, Mário de Andrade e Érico Veríssimo, entre outros. Em escritores mais recentes, como é o caso de João Gilberto Noll, o paradígma familiar é discutido por outro viés. Qual seja : o  de seu esfacelamento e da adoção de paradigmas ex-cêntricos. Os romances Bandoleiros e A céu aberto são ilustrativos disso (NOLL, 1989 e 1996, respectivamente).

Hannah Arendt divide com Anderson a mesma idéia, ao considerar que a Nação é a forma política de organização das famílias, enquanto a sociedade seria a forma de organização econômica desses grupos. Nação e sociedade, diz ainda a filósofa, são, por uma relação de similaridade, uma “única família sobre-humana” (ARENDT, 1991, p. 38). Em outros termos: a Nação seria a ampliação do modelo familiar. Evidentemente, uma ampliação ideal e perpassada por rasuras, visto os paradoxos nela contidos.

Um desses paradoxos é exatamente a questão territorial discutida no início deste tópico. A compartimentação dos esforço para excluir a alteridade contradiz a noção de “família única” e torna-se, até certo ponto, irônica, visto que a exclusão é fator de dispersão e não de coesão. Entretanto, é calcada na idéia de univocidade que torna possível mesclar tradições familiares à tradição e à memória da Nação. É óbvio que os grupos familiares despossuídos não desfrutam de tal privilégio, uma vez que, em determinado momento, sua cadeia de referências partiu-se.

Apesar de funcionarem como mecanismos necessários à construção das identificações coletivas, visto que são apresentados como exemplos edificantes e necessários ao bom funcionamento da Nação, os grupos tradicionais costumam não se identificar com a sua Nação. Em geral, sentem-se estrangeiros em sua própria pátria. É interessante notar que situação semelhante é experimentada por grupos de migrantes, diaspóricos e algumas minorias. Estes, “estrangeiros” por carregarem em si a marca da diferença e tornarem mais visíveis as fronteiras, as margens.

Os grupos tradicionais sentem-se estrangeiros por não compartilharem a pluralidade, a diversidade, a heterogeneidade. Em O nome do bispo, os Marcondes Pompeu afirmam-se “deliciosamente estrangeiros no Brasil”, e tomam como referencial o estilo inglês de ser. Esta atitude visa expugnar traços negros existentes na origem da família. Com este “menos na origem”, o grupo assegura seu ideal aristocrático e dissolve um perturbador traço de junção com a margem (no caso, com os parentes pobres). Traço indelével, entretanto, já que sua presença está por toda parte, “ramificam-se e cobrem o Brasil” (TAVARES, 1985, p. 64).

Apesar das práticas de dissolvimento, mascaramento e confinamento, as tradições (como as das famílias criadas por Zulmira R. Tavares) estão permanentemente ameaçadas pela tensão interna que as perpassam. Assim, esta seria a grande constatação subjacente ao texto tavaresiano (em Jóias de família, em O nome do Bispo, objetos deste estudo). A escritora aponta em suas narrativas a impossibilidade dos grupos que se querem indissolúveis se manterem coesos, apartados em seu território, uma vez que elementos estranhos (a despeito das fronteiras) estão prestes a qualquer momento a ultrapassar os limites criados por tais grupos. Seja com sua sombra silenciosa (como a de Maria Preta, a empregada,  em Jóias de família), seja com seu “cheiro de pobreza” (caso dos parentes menos favorecidos de O nome do Bispo). Sombra e cheiro: instâncias impossíveis de deter.

Isto posto, conclui-se – através das iluminações advindas da narrativa ficcional de Zulmira R. Tavares e dos estudos de Homi Bhabha sobre identidade cultural – que a identidade só é possível se não perde de vista a alteridade que a atravessa e que também a constitui. Tomando como metonímia da Nação a família e seus movimentos em torno da construção de identificações, pode-se inferir juntamente com a escritora e o teórico, que Nação e tradição se estabelecem a partir de narrativas. Narrativas que dão carnadura às concepções ideais e que são disseminadas entre os grupamentos sociais através de imagens tecidas, em grande medida, com os fios da memória (lembrança e esquecimento). Imagens que transitam no espaço e no tempo de uma comunidade, tornando-se, quase sempre, as balizas que resguardam os limites e que fazem clara a percepção das fronteiras e das margens dentro dos próprios grupos, dentro da própria Nação.

 

BIBLIOGRAFIA

A) Bibliografia citada

 

ANDERSON, Benedict. Nação e consciência nacional. Trad. Lélio L. de Oliveira. São Paulo: Ática, 1989.

ARENDT, Hanna. A condição humana. Trad. Roberto Raposo. 5ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1991.

BHABHA, Homi. Dissemi/Nação: tempo, narrativa e as margens da nação moderna. Trad. Míriam Ávila. Belo Horizonte. FALE/UFMG, 1994.

HOBSBAWM, Eric. Introdução à invenção das tradições. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984.

LE GOFF, Jacques. História e memória. Trad. Irene Leão. 2ª ed. Campinas: Unicamp, 1992.

RIBEIRO, João Ubaldo. Viva o povo brasileiro. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

TAVARES, Zulmira Ribeiro. O nome do bispo. São Paulo: Brasiliense, 1985.

                      . Jóias de família. São Paulo: Brasiliense, 1990.

 

B) Bibliografia mencionada

 

POLLAK, Michael. Memória, esquecimento, silêncio. Estudos históricos. Rio de Janeiro, v. 2, n. 3, 1989.

PIGLIA, Ricardo. Memoria y tradicion. In: CONGRESSO ABRALIC, 2, 1990. Belo Horizonte, 1990. Anais... Belo Horizonte: UFMG, 1991.

 

 

* Este texto é um dos capítulos de minha pesquisa Narrativa e identidades coletivas: recortes identitários na ficção brasileira, financiada pelo CNPQ, através do Programa Recém-Doutor e orientada pelo Professor Doutor Gustavo Bernardo Krause em 2002, na UERJ.

[i] Relação semelhante encontramos em Viva o povo brasileiro. Neste romance, um dos membros da família Ferreira-Dutton confunde o bairro de Higienópolis com a história de seu grupo familiar (Cf. RIBEIRO, 1984, cap. 20).